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Perda de movimento do ombro e do braço após acidente de moto: o que pode ser?

Na maioria das vezes, a explicação está no plexo braquial — e o tempo entre o acidente e a avaliação pesa no resultado.

Essa é uma das situações mais características atendidas por quem se dedica à cirurgia de nervos periféricos, e existe uma explicação médica bem definida para ela.

O que provavelmente aconteceu

O braço é controlado por um conjunto de nervos que saem da coluna do pescoço, passam por trás da clavícula e se espalham para o ombro, o cotovelo, o punho e a mão. Esse conjunto é chamado de plexo braquial.

Ilustração anatômica do plexo braquial saindo das raízes C5 a T1 no pescoço, formando os troncos superior, médio e inferior e dando origem aos nervos musculocutâneo, axilar, radial, mediano e ulnar.
O plexo braquial: raízes nervosas de C5 a T1 que formam os nervos do ombro, do braço e da mão.Ampliar ilustração

Em acidentes de moto, o impacto costuma jogar o ombro para um lado enquanto a cabeça e o pescoço vão para o outro — um movimento de estiramento brusco que pode estirar, romper ou arrancar esses nervos. É por isso que a lesão do plexo braquial é uma das causas mais frequentes de perda de movimento do braço inteiro após esse tipo de trauma, especialmente quando o ombro fica em posição de rotação extrema no momento do impacto.

Ilustração de um acidente de moto em que o ombro é empurrado para um lado e a cabeça e o pescoço para o outro, com detalhe dos nervos do plexo braquial estirados, rompidos ou arrancados.
No impacto, o ombro vai para um lado e o pescoço para o outro: o estiramento pode estirar, romper ou arrancar os nervos do plexo.Ampliar ilustração

O padrão de fraqueza depende da parte atingida

Dependendo de qual parte do plexo é afetada, o padrão de perda de força muda:

  • Quando a lesão atinge a parte de cima do plexo, é comum perder a força para levantar o braço e dobrar o cotovelo, mas a mão costuma continuar funcionando.
  • Quando a lesão atinge a parte de baixo do plexo, o ombro e o cotovelo podem ficar relativamente preservados, mas a mão fica paralisada.
  • Em impactos mais graves, o plexo inteiro pode ser afetado, resultando em perda completa de movimento do braço.

Outra possibilidade é a lesão isolada do nervo axilar, também comum quando o ombro se desloca durante o acidente. Nesse caso, a perda de força costuma ser mais localizada, afetando principalmente a elevação lateral do braço.

Por que a avaliação precisa ser rápida

O tempo entre o acidente e o início do tratamento é um dos fatores que mais influenciam o resultado final. Estudos que acompanharam centenas de pacientes com esse tipo de lesão mostraram os melhores resultados de força quando a cirurgia foi realizada em até 3 meses. Depois de 12 meses, a chance de recuperar força satisfatória cai bastante, embora ainda existam casos de melhora com cirurgia tardia.

O que se pode esperar da cirurgia, e como esses resultados são medidos, está em cirurgia de lesão do plexo braquial: ajuste de expectativas.

Próximo passo

Diante de perda de movimento do ombro e do braço após um acidente, o caminho recomendado é uma avaliação com neurocirurgião especialista em nervos periféricos o quanto antes, para identificar exatamente qual parte do plexo foi afetada e definir a estratégia de tratamento. Ela pode incluir observação, fisioterapia ou cirurgia de reconstrução nervosa, sempre respeitando a janela de tempo em que os resultados são melhores. Veja também como é feito o diagnóstico da lesão de plexo braquial.

Este texto é educativo e não substitui a consulta. O diagnóstico e a conduta dependem de avaliação presencial, e não há promessa de resultado.

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