O que é o pé caído

Pé caído é quando a pessoa perde a força para levantar a ponta do pé. O pé fica arrastando no chão ao caminhar, e muitas vezes é preciso levantar mais o joelho para não tropeçar.

Isso costuma acontecer porque o nervo fibular foi lesionado. Esse nervo passa bem perto da parte externa do joelho, logo abaixo da pele, o que o torna vulnerável a compressão, estiramento ou lesão direta em traumas, luxações de joelho e até em cirurgias ortopédicas na região.

Ilustração comparando uma perna normal, em que o nervo fibular comum ativa o músculo tibial anterior para levantar o pé, com uma perna com dano no nervo fibular junto à fíbula, músculos inativos e o pé caído.
O nervo fibular passa junto à parte externa do joelho; quando lesionado, o pé deixa de ser levantado ao caminhar.Ampliar ilustração

Como a avaliação é conduzida

A consulta procura entender como e quando a perda de força começou — trauma, luxação do joelho, cirurgia na região ou compressão — e examina a força para levantar o pé e os dedos, a sensibilidade no dorso do pé e a marcha.

A eletroneuromiografia e, em casos selecionados, os exames de imagem ajudam a definir se o nervo está apenas comprimido, se perdeu a continuidade e se há sinais de recuperação. Nem toda fraqueza para levantar o pé vem do nervo fibular: causas na coluna lombar e outras doenças neurológicas fazem parte do diagnóstico diferencial.

Quando o próprio nervo pode ser tratado

A escolha da cirurgia depende principalmente de dois fatores: o tipo de lesão do nervo e o tempo decorrido desde o acidente ou a cirurgia.

  • Liberação do nervo (neurólise): indicada quando o nervo está apenas comprimido ou preso em tecido cicatricial, sem estar rompido.
  • Reparo ou enxerto de nervo: usado quando a continuidade do nervo foi interrompida. Funciona melhor quando realizado nos primeiros 6 meses após o trauma e quando o segmento lesionado é curto.
Ilustração da neurólise: antes, o nervo comprimido por tecido cicatricial; durante, a cicatriz sendo removida com instrumentos cirúrgicos; depois, o nervo liberado e com a continuidade preservada.
Na neurólise, o nervo é liberado da cicatriz que o comprime, sem precisar ser cortado.Ampliar ilustração

Quando o nervo não tem mais como se recuperar

Em lesões muito antigas, acima de 12 a 18 meses, a recuperação do próprio nervo deixa de ser esperada. É possível então redirecionar o tendão de outro músculo da perna, o tibial posterior, para puxar o pé para cima.

Essa transferência de tendão pode ser feita mesmo anos depois da lesão original, desde que o músculo doador esteja saudável e a articulação do tornozelo ainda tenha mobilidade preservada. O objetivo é voltar a caminhar com menos dependência da órtese e menos risco de quedas.

Ilustração da transferência de tendão para dorsiflexão do pé: o tendão do músculo tibial posterior é desviado por um novo trajeto até o dorso do pé, permitindo levantar a ponta do pé quando o nervo fibular não se recupera.
Quando o nervo não tem mais como se recuperar, um tendão saudável é redirecionado para levantar o pé.Ampliar ilustração

O tempo importa, mas nunca é tarde para avaliar

Quanto mais cedo a avaliação, maiores as chances de recuperação do próprio nervo, sem precisar recorrer à transferência de tendão.

Ainda assim, pacientes com lesões de anos atrás também devem ser avaliados. Durante o acompanhamento, ou quando a cirurgia não é indicada, órteses ajudam a caminhar com mais segurança.

Quando procurar avaliação especializada

  • Dificuldade para levantar a ponta do pé ou pé que arrasta ao caminhar.
  • Perda de força no pé após trauma, luxação do joelho ou cirurgia na região.
  • Lesão do nervo fibular sem sinais de recuperação durante o acompanhamento.
  • Pé caído antigo, com uso de órtese, para avaliar a possibilidade de transferência de tendão.

Limites e alternativas de cuidado

Nem todo pé caído tem origem no nervo fibular: causas na coluna e outras doenças neurológicas precisam ser afastadas.

Lesões por compressão ou estiramento podem se recuperar sem cirurgia, e o acompanhamento define o momento de intervir.

O reparo e o enxerto de nervo funcionam melhor quando feitos cedo e em segmentos curtos; em lesões antigas, a recuperação do próprio nervo deixa de ser esperada.

A transferência de tendão depende de um músculo doador saudável e de um tornozelo com mobilidade preservada.

Etapas do cuidado

  1. 1

    Revisão da história do trauma ou da cirurgia e dos exames anteriores.

  2. 2

    Exame da força, da sensibilidade e da marcha.

  3. 3

    Eletroneuromiografia e exames de imagem quando ajudam a definir o tipo de lesão.

  4. 4

    Escolha entre acompanhamento, cirurgia do nervo ou transferência de tendão, conforme o tipo de lesão e o tempo decorrido.

Perguntas frequentes

Pé caído tem tratamento?

Sim. Conforme o tipo de lesão e o tempo desde o trauma, as opções incluem liberar o nervo, repará-lo com sutura ou enxerto, ou transferir um tendão para levantar o pé. A indicação é definida na avaliação.

O pé caído pode melhorar sozinho?

Pode, quando o nervo foi apenas comprimido ou estirado. Por isso parte dos casos é acompanhada por um período, com exames seriados que mostram se a recuperação começou.

Até quando é possível operar o nervo?

O reparo ou enxerto funciona melhor nos primeiros 6 meses após o trauma. Depois de 12 a 18 meses, a recuperação do próprio nervo deixa de ser esperada, e a transferência de tendão passa a ser a principal opção.

Uma lesão de anos atrás ainda tem tratamento?

Pode ter. A transferência de tendão pode ser feita mesmo anos depois da lesão, desde que o músculo doador esteja saudável e o tornozelo tenha mobilidade preservada.

Vou precisar usar órtese?

A órtese ajuda a caminhar com mais segurança durante o acompanhamento ou quando a cirurgia não é indicada. Depois de uma transferência de tendão, o objetivo é reduzir a dependência dela, sem garantia de que isso aconteça em todos os casos.

O pé caído pode aparecer depois de uma cirurgia no joelho?

Pode. O nervo fibular passa logo abaixo da pele, na parte externa do joelho, e pode ser comprimido ou lesionado em traumas, luxações e cirurgias da região. A avaliação define o tipo de lesão.

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